Roadmap público: o que vem depois do Link
No SaaS tradicional, o roadmap é um documento confidencial que vaza uma vez por ano num keynote, entre fumaça e música épica. O usuário descobre as features quando elas aparecem na fatura.
Não conseguimos operar assim. O código é aberto: qualquer um vê no que trabalhamos olhando os repositórios. Esconder o roadmap sendo open source seria como pendurar cortinas numa casa de vidro. Então publicamos tudo — trimestres e critérios incluídos.
O que vem, em ordem
- Track — Q4 2026. Nosso gestor de projetos. Issues, cycles, keyboard-first, roadmaps. Pense no Linear, mas open source e a $0 em self-host. Está em construção agora.
- CRM — Q1 2027. Contatos, pipeline, atividades. O HubSpot que não cobra por contato guardado. API-first, como tudo o que fazemos: sai com a API pública documentada desde o primeiro dia.
- Cal — Q2 2027. Agendamento. Sua disponibilidade, um link público, eventos caindo na sua agenda. O Calendly que não cobra $12 por usuário por dois componentes.
Os três herdam o contrato do Link: código aberto, self-host grátis com SQLite num VPS de $5, cloud ao custo real e exportação completa em JSON/CSV/API.
Como escolhemos a ordem
Não jogamos dado. Três critérios, nesta ordem:
- Onde a fatura dói mais. Medimos a razão entre o que o mercado cobra e o que a infraestrutura custa. Um CRM cobra cerca de $50 por usuário para guardar contatos numa tabela; um encurtador cobrava $35 por redirects de 300 bytes. Quanto mais absurda a margem, mais cedo atacamos.
- O que se constrói sobre o quê. O Track precisa de uma base de projetos e permissões que CRM e Cal vão reutilizar depois. Construir nessa ordem é mais barato e mais rápido que o contrário.
- O que a comunidade pede. Issues e discussões dos repositórios são públicas e têm peso. Se mil pessoas pedem o que estava em quinto lugar, ele sobe.
Por que publicar é bom para nós (e para você)
Um roadmap público faz três coisas que um secreto não consegue:
- Nos dá prazo. Se dizemos "Q4 2026" em público, o Q4 2026 existe. Accountability de graça: um compromisso com desconhecidos organiza mais que cem reuniões internas.
- Deixa você planejar. Se a sua empresa está prestes a renovar um contrato de agendamento por dois anos, você merece saber que no Q2 2027 existe uma alternativa a $0. Esconder isso seria fazer com você o dano que criticamos nos outros.
- Convida à correção. Um roadmap privado só é corrigido em retrospecto. Um público recebe argumentos antes do erro acontecer.
E a concorrência? Já sabe o que fazemos: o código está no GitHub. O único que fica de fora com um roadmap secreto é o usuário. Essa conta não fecha.
O que não prometemos
Trimestres são trimestres, não dias. Você não vai ver "Track sai em 14 de outubro às 9h" porque não sabemos — fingir seria o primeiro hype de uma longa série. Se algo atrasar, você vai ler no mesmo roadmap, com o motivo. Sem post-mortem dramático: mudou, este é o motivo, esta é a nova janela.
Também não prometemos listas de features fechadas. A lista curta de cada produto está nos posts dedicados, mas o detalhe final é decidido pelo uso real e pela comunidade, não por um mockup de um ano atrás.
Como acompanhar (e mudar)
O roadmap vive em zerosoftware.ai/roadmap e nos repositórios: cada item aponta para as suas issues. Vote comentando, proponha features novas ou simplesmente construa — PRs são o jeito mais rápido de mover uma prioridade.
O Link foi a prova de que o modelo funciona: software grátis, nuvem ao custo, zero lock-in. Track, CRM e Cal são a prova de que não foi coincidência. A ordem está definida, as janelas estão ditas e o quadro é público. A gente se vê no Q4.